De tempos em tempos, os aposentados e pensionistas do INSS que recebem benefícios têm de comprovar que estão vivos. É a chamada prova de vida. No meio musical não é diferente. Não fosse o nome que indica o fechamento do ciclo – provavelmente marcando a despedida da banda –, Full Circle, o novo álbum do Firehouse, poderia ser tomado como exemplo para esta prática tão comum a quem amarga anos no ostracismo.
No tocante à vida na estrada, viver de passado é sempre um bom negócio, mas em se tratando de álbuns, torço o nariz para bandas que regravam seus clássicos. Regravações nunca causam o impacto das originais e, o que é pior, ainda evidenciam aspectos negativos que são puro sinal dos tempos, como o desgaste vocal, por exemplo. Um caso recente disso é a coletânea Greatest Hits 2, lançada em 2010 pelo Dokken com seus maiores sucessos repaginados pela formação atual da banda. Terrível!
Mas então, o que funciona em Full Circle? Em primeiro lugar, tanto tempo tocando junto facilita as coisas. Snare, Leverty e Foster estão nessa há mais de duas décadas – apesar de há quase uma só o fazerem para manter as aparências. Em segundo, e que ficou evidente na passagem da banda pelo Brasil em 2007, Allen McKenzie é o melhor baixista desde Perry Richardson e comanda os backing vocals com brilhantismo. E em terceiro lugar, o maestro Bill Leverty, inovando na medida certa, com uma pegada de dar inveja!
CJ Snare continua cantando muito, mas não dá mais conta dos agudos de outrora. Trocando em miúdos, nota 10 nas baladas e notas de 0 a 5 no restante. Vale ressaltar que, ao contrário do já citado Dokken, que baixou suas músicas em um ou mais tons, o Firehouse manteve a tonalidade original de todas. Fidelidade sonora é isso.
No geral, e diante do baixíssimo nível dos parâmetros de comparação, Full Circle é um bom disco. Só espero que não feche o ciclo de fato, pois por mais que nos bastidores o clima seja tenso, o que se vê em cima do palco mostra que Snare, Leverty e Foster ainda têm muito combustível para queimar. Que tal fazer uma oferta, hein, Frontiers?
Tweetar
Nenhum comentário:
Postar um comentário